O fim da era de ouro das startups e qual o papel da indústria nisso

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O fim da era de ouro das startups e qual o papel da indústria nisso

Com apenas 1 em cada 10 brasileiros conectados na internet, o cenário de inovação digital no Brasil em 2005 ainda dava seus primeiros passos. Naquele tempo não existia Uber, iFood, problemas com fake news no Whatsapp e o termo startup era coisa de outro mundo. 

Porém, foi nessa mesma época que o gigante Google fez a sua primeira aquisição de novos negócios fora dos Estados Unidos. A compra, no caso, foi da belorizontina Akwan, uma empresa de base tecnológica nascida do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais – DCC/UFMG, a partir da associação entre professores do Departamento e investidores.

Dali até o surgimento da primeira grande comunidade de startups de Minas, o San Pedro Valley, se passaram 6 anos, porém, assim que as essas empresas começaram a despontar e ganhar mais destaque nos portais de notícias, parecia que não veríamos tão cedo o fim desse crescimento do mercado de inovação no país.

Pois parece que esse fim chegou e, em boa parte, por causa de alguns nomes conhecidos de indústrias tradicionais e outras nem tão tradicionais assim.

O fim da era das startups

Em via de regra, uma era não costuma acabar do dia pra noite (e é importante ter isso em mente por aqui).

O fim do período do Estado Novo, também conhecido por Era Vargas, por exemplo, não se deu apenas com a renúncia de Getúlio, em 1945, mas, também, pela posterior redemocratização do país, com a adoção de uma nova constituição um ano depois, em 1946.

Dito isso, o que temos hoje são sinais que apontam que já estamos no fim da era das startups. E há alguns anos, diversos especialistas e veículos de comunicação sobre negócios já vem pautando essa conversa.

Em 2017, o The Wall Street Journal falou a respeito de um congelamento em investimentos para startups, que ainda em 2021 foi alertado por outros especialistas.

De acordo com o Statista, se de 2012 até 2019 o número de startups no Brasil basicamente dobrava a cada 2 anos, entre 2019 e 2020 parece que chegamos em um platô não relacionado apenas à pandemia (afinal, não havia variantes de coronavírus e uso de máscara por todos os lados antes de março do ano passado, certo?). E esse platô é um bom indicador de que estamos “embicando” para baixo o cenário da inovação como conhecemos.

Quando a indústria acabou com a inovação

Alguns anos atrás, o jornalista Jon Evans escreveu o seguinte em sua coluna no TechCrunch (um dos maiores portais sobre tecnologia do mundo): 

Vivemos em um novo mundo agora, que favorece os grandes, não os pequenos. O pêndulo já começou a balançar para trás. Grandes empresas e executivos, em vez de startups e empreendedores, serão os donos da próxima década 

Hoje, startups e pequenas empresas são compradas rapidamente por gigantes como Amazon, Google e Facebook, antes mesmo delas conseguirem ter algum grande destaque. E isso quando elas dão sorte de serem chamadas à mesa para negociação ao invés de serem copiadas pelas big techs, como foi o caso do Snapchat.

Além disso, se antes a inovação digital era direcionada pela criatividade ou pelas demandas dos consumidores, agora temos um direcionamento claro de criação de tecnologias que resolvam os problemas das indústrias tradicionais, como do agro e da mineração, interessadas em comprar determinadas soluções ainda em fase inicial por um preço mais baixo.

Por fim, como o próprio Evans também exemplifica em seu artigo, é amplamente entendido que a próxima onda de tecnologias será bastante relacionada à hardwares, como drones, AR / VR, carros autônomos e a “Internet das Coisas”. O lance é que, apesar dessas tecnologias serem extremamente importantes, elas não são nem de longe tão acessíveis quanto a programação para web e os smartphones. 

A nova corrida do ouro (digital)

Apesar de todo esse tom pessimista, acredite, ainda é possível criar e aproveitar com esse final da era das startups.

Governos (federais, estaduais e municipais) de diversos países têm impulsionado a criação de startups do segmento Green-Tech, capazes de entregar tecnologias que favorecem a preservação do meio ambiente e ajudam a diminuir o rastro da ação humana na Terra. E aí vale desde a utilização de técnicas limpas de produção de energia até aplicativos voltados ao compartilhamento de carros e o uso de veículos elétricos.

Em São Paulo, por exemplo, foi entregue em junho de 2021 o Hub Green Sampa, primeiro centro voltado para startups de tecnologias verdes e sustentabilidade. 

Lugares como Chile e Estônia também tem focado em criar e atrair empresas de base tecnológica que resolvam alguns de seus problemas relacionados ao meio ambiente, transporte, moradia e alimentação, fugindo um pouco das pautas trazidas pelas indústrias tradicionais.

Vale ainda dizer que com mais governos e pessoas tendo passado pelas etapas da transformação digital, mais soluções inovadoras deverão ser incorporadas ao dia a dia de entidades e negócios tradicionais, eliminando a necessidade do surgimento de startups que resolvam determinados problemas.


O fim da era das startups não quer dizer o fim das startups. Ainda teremos um bom espaço para que pequenos projetos com potencial possam sair do papel.

No entanto, agora os resultados serão cobrados ainda mais em detrimento do hype e a conexão com os problemas da sociedade será mais importante do que as demandas da indústria.

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